1
“Eis que cá estou, diante da escuridão urbana e da chuva onipresente.
Trago em meus braços uma vergonha, inconfundível.
Trago o segredo que me põe a caminhar ao abismo do horizonte.
Em panos de linho bordado, carrego o segredo, compreendido somente entre hienas, as quais vivem do próprio instinto e se esbanjam da grandeza de rir.”
O sol renasce! O sol transforma o véu da noite em um degrade de luzes celestiais. Os sabiás voam e cantam entre eles, a natureza ressoa bela, silenciosa, solitária. Bela. E tal solidão é fardo carregado, conseqüencia do nascimento de homens civilizados, naturalizados em numa cultura lúdica, porém fria e persuasiva.
“Já faz dia, o cajado solar já despontou, o segredo pelo sol é iluminado, mas diante do globo flamejante permanece segredo mesmo enquanto é revelado, a própria exposição ao fogo oculta-o.
Caminham cartomantes, velhos, monges, empregados, empregados de dever, e o segredo continua a mostra e continua segredo aos olhos de todos.
Ofusca-se as vistas do hábito, Sim. Ofuscar imagens? Imagens são exacerbadamente inocentes e mornas para se honrarem fatos. As imagens limitam-se a perdição e prazeres.
2
“Lágrimas de ventura, derramo-as da alegria de aliviar. Sabendo das aflições e da ânsia apreensiva, desvaneço o temor nesse tempo de impasse. Sou o Eterno Compassivo, me clamem de Eterno Compassivo, essa é a minha face real. Os sonhadores me sabotam nos próprios sonhos. Os realistas discursam sobre mim como argumento da dialética. Os instintivos dizem com veemência: Ah... És tu? Não, nem obrigado. Mas sou o Eterno Compassivo, me clamem de Eterno Compassivo, essa é a minha face real.
Carrego o fardo do sacrifício concedido por Deus Pai, não pelo Filho e nem pelo Espírito Santo, e quem arriscaria, senão eu, em dizer tal heresia? Há ainda muita seriedade nos centros urbanos. Não seria justo dizer que cumpro deveres, ou faço justiça, ou exerço meu dom. Mas corro entre os mortais injustamente. Sendo assim, o mais solitário entre os altruístas, eu, sim, eu cumpro deveres, eu faço justiça, eu exerço meu dom. Santifico e profano minha única identidade em meu único nome.
Nenhum comentário:
Postar um comentário